Atualidade
Covilhã: Feira de São Tiago encerra edição de 2026 reforçando o seu “impacto económico e cultural” na região da Beira Interior
A 615.ª Feira de São Tiago, correspondente à 613.ª edição realizada, decorreu entre os dias 16 e 26 de julho, no Complexo Desportivo da Covilhã, reunindo mais de 200 expositores, dezenas de espaços de restauração, empresas, associações, produtores locais, artesãos, comerciantes, entidades públicas e privadas, bem como um vasto programa de animação cultural e musical que voltou a afirmar o certame como “um dos maiores eventos anuais da região portuguesa da Beira Interior”.
Com origens que remontam a 1411, a Feira de São Tiago constitui “um dos mais antigos certames populares portugueses ainda em atividade”. Ao longo de mais de seis séculos, o evento evoluiu de uma feira tradicional de comércio agrícola e pecuário para uma grande mostra económica, empresarial, cultural e turística, assumindo atualmente “um papel determinante na promoção da Covilhã e de toda a Beira Interior”.
A edição de 2026 ficou marcada por várias alterações estruturais implementadas pelo Município da Covilhã, organizador do certame em parceria com a Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor (AECBP), contando ainda com o apoio do Turismo de Portugal, através do programa “Portugal Events”.
Entre as principais novidades destacou-se a redução da duração da feira de 16 para 11 dias, decisão tomada após auscultação de expositores, associações e juntas de freguesia, permitindo conciliar o certame com outras iniciativas realizadas nas freguesias do concelho e responder às dificuldades de disponibilidade de recursos humanos manifestadas por muitas empresas participantes.
A reorganização do recinto constituiu igualmente uma das maiores mudanças desta edição. A área da restauração foi ampliada e transferida para um novo espaço, proporcionando “melhores condições ao público e aos operadores”. Paralelamente, o stand institucional passou para uma localização mais central, “melhorando a circulação dentro do recinto”.
A aposta na sustentabilidade traduziu-se também na introdução de copos reutilizáveis, medida que permitiu “reduzir significativamente” a utilização de plástico descartável durante o evento.
Outra novidade passou pela implementação da bilhética digital, permitindo adquirir antecipadamente os ingressos através do site oficial da feira, solução que “facilitou o controlo das entradas e reduziu significativamente as filas de acesso ao recinto”.
Além do tradicional palco principal, a edição deste ano voltou a integrar o Palco Secundário, dedicado sobretudo a artistas e bandas da região, e o Palco Tradições, reservado a ranchos folclóricos, grupos de bombos, cantares populares e associações culturais locais.
No plano empresarial, a edição contou com 203 expositores, distribuídos por diferentes áreas de atividade. Destes, 57 empresas ocuparam 78 stands empresariais, resultado da parceria estabelecida entre o Município da Covilhã e a AECBP, demonstrando a crescente importância económica do certame enquanto plataforma de promoção empresarial e de geração de oportunidades de negócio.
De igual modo, a restauração voltou a assumir forte protagonismo, com 62 espaços gastronómicos, aos quais se juntaram produtores agrícolas, comerciantes, expositores de produtos regionais, instituições, associações, espaços dedicados ao artesanato e os tradicionais divertimentos, compondo uma oferta bastante diversificada para os milhares de visitantes que passaram pelo recinto.
A programação musical procurou responder a diferentes públicos e gerações, reunindo alguns dos principais nomes da música portuguesa. Pelo palco principal passaram Quim Barreiros, Diogo Piçarra, João Gil, Sara Correia, Plutónio, Vizinhos, Bárbara Bandeira, Pedro Abrunhosa, Inês Vasconcellos e Rita Guerra, esta última acompanhada pela Filarmónica Recreativa Carvalhense.
A animação foi complementada diariamente por atuações de artistas locais, grupos folclóricos, bombos, música tradicional, animação de rua e diversas atividades dirigidas às famílias.
Organização e participantes destacam “impacto económico, cultural e social do evento”
No balanço da edição de 2026, o vereador com o pelouro dos Eventos da Câmara Municipal da Covilhã, Luís Marques, considerou que a Feira de São Tiago voltou a afirmar-se como “um dos maiores acontecimentos da região”, destacando o impacto económico, cultural e social do certame.
Em declarações à imprensa local, o vereador mostrou-se “satisfeito” com os resultados alcançados, defendendo que o evento continua a crescer de forma “sustentada”.
“Estou muito satisfeito. Acho que fizemos um evento que nos pode deixar orgulhosos. A nossa Feira de São Tiago continua a ser um evento marcante na nossa região e acho que este ano foi mais uma edição de sucesso”, frisou este responsável, que salientou também que a reorganização da área da restauração e dos bares “correspondeu às expectativas da organização, permitindo melhorar a circulação do público e conferir uma nova imagem ao recinto”.
“Nos primeiros dias não tão conhecida porque as pessoas não estavam habituadas ao local, mas penso que nos últimos dias viu-se que foi uma aposta bem conseguida e que dá também uma nova imagem à nossa Feira de São Tiago”, observou Luís Marques, que revelou ainda que o interesse pelo certame aumentou este ano, obrigando a organização a deixar algumas empresas e associações de fora por inexistência de espaço disponível.
“Este ano já deixámos algumas pessoas de fora, algumas empresas de fora, algumas associações de fora, por falta de espaços. Vamos tentar criar mais espaços para que mais gente venha, para que mais associações venham e também possamos trazer artesanato, decoração, tudo aquilo que possa dar mais brilho a esta Feira”, explicou.
Embora a meta dos 100 mil visitantes não tenha sido atingida, devido à redução do número de dias do evento, o vereador considerou que o balanço global foi claramente positivo, anunciando que a preparação da edição de 2027 arrancaria imediatamente.
“Precisamos começar já na próxima semana a trabalhar para a Feira de São Tiago de 2027”, revelou.
Também presente no certame, a empresária, presidente da Associação Mais Lusofonia, com sede em Castelo Branco, e cônsul honorária de Cabo Verde para os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, Sofia Lourenço, considerou que a Feira de São Tiago demonstra a capacidade organizativa do Interior do país e assume um papel relevante na valorização da região, contrariando a ideia de que apenas os grandes centros urbanos conseguem acolher eventos de grande dimensão.
Na sua perspetiva, o certame tem vindo a afirmar-se pela qualidade da programação cultural, gastronómica e musical, funcionando também como espaço privilegiado de encontro entre diferentes comunidades e culturas.
“Esse tipo de evento na nossa região e, principalmente, no Interior de Portugal, só dignifica e só mostra as capacidades que o interior tem, muito pelo contrário do que as pessoas dizem de que os grandes eventos acontecem nas grandes cidades”, declarou.
“A Feira de São Tiago, nos últimos anos, tem mostrado uma qualidade a nível da gastronomia, da parte cultural, da parte musical, principalmente”, acrescentou.
Sofia destacou ainda a dimensão multicultural da feira, realçando que a presença de diferentes gastronomias lusófonas contribui para reforçar os laços entre comunidades.
“No campo da lusofonia, que é o que me cabe, este evento estreita laços, une várias culturas, mesmo porque, na Feira de São Tiago, conseguimos perceber que havia stands com a alimentação brasileira, angolana, e isso significa que há uma miscigenação natural e que toda a gente pode mostrar o que tem de melhor em cada cultura”, frisou.
Por sua vez, Lara Pires, especialista em Planeamento e Propriedade Intelectual, destacou a diversidade da oferta gastronómica disponível nesta edição, considerando que o reforço da presença de produtores locais constituiu uma das principais mais-valias do certame. Na sua opinião, a feira representa uma oportunidade para aproximar consumidores e produtores.
“A feira neste ano tinha muito mais opções de alimentação e opções variadas. Sobre alimentação pude perceber também maior participação de produtores locais e de produtos agrícolas e também produção de ovos. A feira é uma oportunidade excelente para conhecer essas pessoas e começar a comprar direto do produtor”, referiu Lara Pires, que elogiou ainda a programação cultural paralela, destacando a aposta da organização nos artistas regionais e nas manifestações tradicionais.
“Gostei muito da seleção de artistas que se apresentaram no palco secundário e das apresentações folclóricas”, assinalou.
Também Cristina Cravino, professora residente na Covilhã, destacou a evolução qualitativa da edição deste ano, considerando que o reforço da oferta de restauração e a diversidade dos espaços contribuíram para tornar o certame “mais atrativo”.
“Gostei muito da edição deste ano da Feira de São Tiago. Havia mais oferta e mais qualidade nos bares e na restauração, o que trouxe mais animação e diversidade à feira. Visitei todos os stands e tive ainda o gosto de estar no stand da escola onde leciono, a receber e a acolher quem por ali passava, foi uma experiência muito gratificante!”, vincou. Na visão desta docente, a Feira continua a desempenhar um papel importante na dinamização da economia local e na promoção do trabalho desenvolvido por comerciantes, instituições e associações.
“Na minha opinião, a feira é excelente para os comerciantes e para todos os que participam, dando-lhes visibilidade e retorno”, salientou Cristina Cravino, que destacou ainda o concerto dos “Vizinhos” como um dos momentos mais marcantes da programação musical e considerou que o certame representa um importante símbolo da identidade local.
“Para mim, a Feira de São Tiago é muito mais do que um evento: mostra o que temos na nossa região e é um verdadeiro ponto de encontro de covilhanenses, um momento de identidade que renova todos os anos o nosso orgulho”, acrescentou.
Também Maria Tereza Fazendeiro, educadora de infância residente e atuante na Covilhã, considerou que a reorganização do recinto constituiu uma das principais melhorias da edição de 2026.
“Acho que a Feira de São Tiago esteve bem conseguida este ano. Um dos aspetos mais positivos foi a concentração dos restaurantes na mesma zona, o que tornou o espaço mais organizado e agradável para quem visita. Penso apenas que teria sido ainda melhor se todos os restaurantes estivessem integrados nesse espaço”, observou esta educadora de infância, que sublinhou que o certame continua a assumir um papel relevante na promoção da região e na valorização dos agentes económicos locais.
“No geral, continua a ser um evento muito importante para a Covilhã e para toda a região, porque dinamiza a economia local, promove os produtores e comerciantes e é um ponto de encontro de famílias e amigos, mantendo viva uma tradição que faz parte da identidade da Beira Interior. Ninguém resiste a uma fartura com Sumol de ananás”, referiu.
Já o empresário António Carlos, que atua no ramo imobiliário, realçou a importância da Feira de São Tiago enquanto plataforma de promoção para empresas e profissionais da região, considerando que a presença no certame contribui para reforçar a notoriedade dos negócios e gerar novas oportunidades.
“É bom estarmos presentes, é bom sermos reconhecidos e nós, para sermos reconhecidos, temos de ser bons profissionais e é isto que tem acontecido mensalmente, anualmente, ano após ano, essa conquista e esse reconhecimento é brutal”, sustentou o empresário, que avaliou que a visibilidade proporcionada pelo evento ultrapassa a dimensão local, permitindo estabelecer contactos com investidores nacionais e estrangeiros e contribuir para o desenvolvimento económico da Beira Interior.
“Há muitos países que vêm diretamente ter comigo, já, com a minha equipa, para nós fazermos a venda do imóvel deles, para comprar um imóvel, para o desenvolvimento turístico, e grandes projetos que estão a ser criados na região. As pessoas têm recorrido a mim para lhes dar mais alguma informação e para que seja algo de útil para o desenvolvimento deles”, revelou.
Por sua vez, a empresária Ana Antunes reconheceu a importância da Feira de São Tiago enquanto espaço de contacto com o público, mas considerou que, diante das experiências anteriores, identificou que “persistiram algumas fragilidades ao nível da organização do evento”.
“Participar na Feira de São Tiago foi uma experiência importante e uma oportunidade de estar em contacto com tantas pessoas. No entanto, percebi alguma desorganização, falta de planeamento, de informação e de apoio aos participantes, o que acabou por prejudicar quem investiu tempo, dedicação e recursos para estar presente. Fica a esperança de que, nas próximas edições, a organização possa rever alguns pontos e aprenda com os erros e proporcione uma experiência mais digna para expositores e visitantes”, concluiu.
“Ainda com o coração cheio! Obrigado, Covilhã! A Feira de São Tiago 2026 foi, sem dúvida, memorável. Este mar de gente reflete a força da nossa comunidade e a paixão pelas nossas tradições. Um agradecimento especial a todos os que tornaram esta edição possível: visitantes, parceiros e equipas. O vosso contributo foi inestimável. Bem-haja! Despedimo-nos com os olhos postos no futuro. O trabalho para a próxima edição já começou. A Feira de São Tiago regressa em 2027!”, mencionou a organização do evento nas redes sociais.
Uma das mais antigas da Península Ibérica, a Feira de São Tiago decorreu na Covilhã, Região Centro de Portugal, de 16 e 26 de julho de 2026.
Ígor Lopes
Atualidade
Funchal é palco do VII encontro “Homenagem às Migrações”
A Associação Diáspora no Mundo (ADNM) promove nesta próxima sexta-feira, 11 de setembro, às 20h, no Auditório do Jardim Municipal do Funchal, o VII Encontro “Homenagem às Migrações”, uma celebração da diversidade cultural que caracteriza a Madeira.
O evento reunirá mais de 16 representações de comunidades estrangeiras residentes em terras portuguesas, num espetáculo que pretende dar voz às diferentes culturas através da música, da dança, das tradições e das expressões artísticas.
Entre os convidados estão Alebrije – Folclore Mexicano em Portugal, Patche Di Rima, da Guiné-Bissau, Roni de Melo, do Brasil, e a dupla internacional Sandra&Ricardo, acompanhada pelos seus músicos, entre outros grupos e artistas residentes em Portugal.
Ao longo da noite estarão representados Brasil, Cuba, Venezuela, Egito, Inglaterra, República Dominicana, Guiné-Bissau, México, França, Chile, Argentina, África do Sul, Roménia, Espanha e Itália, numa verdadeira viagem cultural por diferentes partes do mundo.

“O Encontro “Homenagem às Migrações” é uma celebração da diversidade que diariamente enriquece a nossa Região. É um momento de encontro entre culturas, histórias e pessoas, que nos recorda que a diferença nos aproxima e que cada comunidade tem um contributo único para a construção de uma Madeira mais inclusiva, plural e solidária”, afirmou Lúcia Gomes, presidente da ADNM.
Com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, o evento tem entrada livre e está aberto a toda a comunidade, convidando madeirenses, migrantes e visitantes a celebrar juntos a riqueza das diferentes culturas que hoje fazem parte da Região.
Apresentado por Carlos Nené Pereira, com esta iniciativa, a ADNM reafirma o seu compromisso com a valorização da diversidade cultural, a integração das comunidades migrantes e a promoção do diálogo intercultural, transformando o Funchal num verdadeiro ponto de encontro entre culturas.
Ígor Lopes
Atualidade
Lisboa: Diplomacia brasileira celebra relações com Portugal durante festa pelos 204 anos da Independência do Brasil
A Embaixada do Brasil em Lisboa celebrou, no dia 7 de setembro, o 204.º aniversário da Independência do Brasil com uma receção realizada na Residência Oficial do Embaixador da República Federativa do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, e da embaixatriz Maria José de Ávila. A cerimónia decorreu entre às 18h e às 20h e reuniu autoridades portuguesas e brasileiras, representantes do corpo diplomático, membros da comunidade luso-brasileira e convidados institucionais.
O programa incluiu a execução dos hinos nacionais do Brasil e de Portugal pela Banda da Armada, com interpretação de Taiana Froes, seguida da intervenção do embaixador e de um momento de confraternização. Entre os presentes esteve o ex-Presidente da República portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa, que acompanhou parte da cerimónia ao lado de Raimundo Carreiro.
À margem das celebrações, Raimundo Carreiro concedeu uma entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis e fez um balanço da evolução das relações entre Brasil e Portugal durante os quatro anos em que tem estado à frente da representação diplomática brasileira no país. Para o embaixador, cada celebração do 7 de Setembro realizada durante a sua missão tem permitido “acompanhar um processo contínuo de aproximação bilateral”.
Segundo Carreiro, a relação entre os dois países tem vindo a tornar-se mais estreita, com reflexos na presença da comunidade brasileira, no diálogo entre autoridades e nas relações económicas. O diplomata sublinhou que esta aproximação deve também ser compreendida a partir do percurso histórico iniciado com a própria Independência e com o posterior reconhecimento português da soberania brasileira.
Na entrevista, Raimundo Carreiro recordou que o reconhecimento ocorreu num contexto particular, marcado também pela relação familiar entre D. João VI e D. Pedro I. Segundo o embaixador, tratou-se de um reconhecimento entre pai e filho, acrescentando que o entendimento estabelecido naquele período apontava para uma união destinada a permanecer. O diplomata associou esse percurso histórico ao atual nível das relações bilaterais. Considerou que, ao longo dos 204 anos de independência brasileira, Brasil e Portugal procuraram construir uma relação assente na proximidade, que hoje se manifesta através da mobilidade das pessoas, da cooperação institucional, dos negócios e da presença crescente dos brasileiros na sociedade portuguesa.
O embaixador destacou ainda o papel desempenhado por Portugal no processo de aproximação comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo Carreiro, Portugal esteve entre os países europeus que apoiaram o entendimento e defenderam a conclusão do acordo, sendo também um dos Estados que poderão beneficiar do aumento das oportunidades de comércio e investimento entre os dois blocos.
O Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro de 2026 e estabelece uma área económica que reúne aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado superior a 22 biliões de dólares. A aplicação provisória do Acordo Provisório de Comércio começou em 1 de maio de 2026, enquanto prosseguem os procedimentos previstos para a entrada em vigor definitiva dos diferentes instrumentos jurídicos.
Para Raimundo Carreiro, a aproximação entre os dois blocos ultrapassa a dimensão comercial e representa também uma afirmação do multilateralismo num contexto internacional marcado por tensões económicas e geopolíticas. Neste cenário, Portugal ocupa, segundo o diplomata, uma posição relevante na ligação do Brasil ao espaço europeu, enquanto o Brasil assume igualmente uma função de ligação portuguesa à América do Sul.
Ao recordar os principais momentos da sua missão em Lisboa, o embaixador referiu ainda as comemorações do bicentenário da Independência, em 2022, quando o coração de D. Pedro I foi transportado de Portugal para o Brasil no âmbito das celebrações dos 200 anos, e as iniciativas que assinalaram, em 2025, os dois séculos do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países e do reconhecimento português da Independência brasileira.
Carreiro afirmou que acompanhar estes acontecimentos durante a sua missão representa uma “responsabilidade institucional e pessoal”, considerando que o posto de embaixador do Brasil em Portugal possui uma dimensão particular pela história partilhada pelos dois países.
Para Raimundo Carreiro, este percurso demonstra a continuidade de uma relação que, mais de dois séculos depois da separação política, permanece em processo de aproximação e consolidação.
Discurso oficial destacou relações bilaterais
Na abertura de seu discurso oficial, no início da noite, Raimundo Carreiro destacou o significado da celebração e a relação entre Brasil e Portugal.
“É uma grande satisfação recebê-los na Residência Oficial da Embaixada do Brasil em Lisboa para a celebração dos 204 anos da Independência do Brasil. A execução dos hinos nacionais do Brasil e de Portugal simboliza a amizade e o respeito que unem os nossos dois países”, declarou.
Ao abordar as relações bilaterais, o embaixador brasileiro recordou o bicentenário das relações diplomáticas e ressaltou o momento atual da parceria entre as duas nações.
“No ano passado, celebrámos o bicentenário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Portugal. Foi uma oportunidade para recordarmos a nossa trajetória comum, construída ao longo de dois séculos, e para projetarmos o futuro da parceria que une as duas nações. Em 2026, esse espírito de celebração continua a inspirar o fortalecimento dos laços entre os nossos dois países. O intenso diálogo político, o crescente intercâmbio cultural, a vitalidade das nossas diásporas e a expansão dos vínculos económicos mostram que Brasil e Portugal vivem um momento de consolidação das relações bilaterais”, destacou.
Na sequência, Raimundo Carreiro mencionou os contatos políticos e institucionais mantidos entre Brasil e Portugal.
“Em novembro passado, o primeiro-ministro português Luís Montenegro realizou uma visita ao Brasil para participar na COP30, em Belém. Em abril deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Lisboa e reuniu-se com o primeiro-ministro e com o Presidente da República Portuguesa. Os laços de amizade entre os parlamentos continuam também a estreitar-se. Em abril, o Congresso Nacional brasileiro recebeu uma delegação da Assembleia da República Portuguesa, liderada por José Cesário. Em julho, recebemos em Lisboa o presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil, ministro Edson Fachin. As reuniões realizadas contribuíram para reforçar a cooperação entre os órgãos judiciais, tanto no plano bilateral como no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”, assinalou.
Um dos pontos centrais do discurso foi a presença da comunidade brasileira em Portugal.
“Os brasileiros já representam cerca de 5% da população de Portugal. A sua presença é parte integrante da vida económica, social, académica e cultural portuguesa. A comunidade brasileira tem uma ligação muito forte com a sociedade portuguesa, favorecida pela língua comum, pelas afinidades culturais e pelos valores partilhados que aproximam os nossos povos. Essa realidade não nos impede de reconhecer os desafios que ainda persistem e de continuarmos a trabalhar em conjunto com as autoridades portuguesas para melhorar a integração da comunidade brasileira”, considerou o diplomata.
No plano econômico, Raimundo Carreiro referiu-se ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia como um marco para as relações entre as duas regiões.
“A entrada em vigor do acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia representa um marco histórico para as duas regiões, com reflexos positivos e duradouros para as relações do Brasil e também de Portugal. Depois de mais de duas décadas de negociações, inauguramos uma das maiores áreas de integração económica do mundo, com cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto conjunto superior a 22 biliões de dólares. O apoio de Portugal foi decisivo para demonstrar que este acordo pode ser benéfico para ambas as partes”, declarou.
Segundo o embaixador, o acordo amplia as possibilidades para empresas portuguesas no mercado sul-americano.
“Fortemente integrada nas cadeias de valor europeias, a economia portuguesa passa a dispor de um canal ampliado para um mercado de aproximadamente 272 milhões de consumidores do Mercosul. Num cenário global marcado pela fragmentação e pela incerteza, esta parceria representa também um reforço do multilateralismo”, avaliou.
Raimundo Carreiro dedicou ainda parte do discurso às eleições gerais brasileiras de 2026 e à participação dos eleitores residentes em Portugal.
“No dia 4 de outubro, o Brasil realiza eleições gerais. Cerca de 158,7 milhões de pessoas estão habilitadas a votar. Em Portugal, são cerca de 135 mil eleitores brasileiros, o que representa aproximadamente 15% dos eleitores inscritos no exterior. Lisboa e Porto são, respetivamente, o primeiro e o terceiro maiores colégios eleitorais brasileiros fora do Brasil”, informou.
Ao tratar dos próximos grandes eventos internacionais no Brasil, Raimundo Carreiro destacou a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA em 2027.
“O Brasil terá muito orgulho em receber o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino da FIFA em 2027. Será a décima edição do torneio e a primeira realizada na América do Sul. Convido todos a visitarem o Brasil no próximo ano e a acompanharem de perto este grande evento”, afirmou.
O embaixador acrescentou que a realização da competição também deverá contribuir para discussões sociais.
“Realizar o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino no Brasil representa um reconhecimento da força crescente da modalidade e do potencial das mulheres no desporto. É também uma oportunidade para colocar em debate questões sociais importantes, como o combate à violência e à desigualdade de género”, enfatizou.
Na parte final do discurso, Raimundo Carreiro voltou a destacar o estágio das relações bilaterais e a necessidade de continuidade do trabalho diplomático.
“Temos muito a celebrar no relacionamento entre Brasil e Portugal, mas assumimos também o desafio de continuar a trabalhar para concretizar as oportunidades que se abrem na nossa parceria bilateral”, ponderou.
O diplomata também mencionou a nova ligação aérea anunciada pela companhia brasileira GOL entre o Rio de Janeiro e Lisboa.
“A nova ligação direta entre o Rio de Janeiro e Lisboa será a primeira da companhia entre o Brasil e a Europa e representa mais uma ponte aérea entre dois países aproximados pela história e pelo afeto”, salientou.
Raimundo Carreiro citou ainda a ampliação da presença do Banco do Brasil em Portugal, com foco no atendimento a cidadãos, empresas e investidores, classificando a instituição como “uma ponte financeira entre os nossos dois países”.
A intervenção terminou com uma referência direta à data comemorativa e à relação bilateral.
“Viva a Independência do Brasil e a amizade entre Brasil e Portugal”, concluiu Raimundo Carreiro.
Recorde-se que Raimundo Carreiro apresentou as suas credenciais em Lisboa em março de 2022 e esta foi a quarta celebração do Dia da Independência realizada durante a sua gestão diplomática em Portugal.
Ígor Lopes
Atualidade
“IX Mercado da América Latina” regressa ao Estoril com três dias dedicados à cultura latino-americana
A Casa da América Latina em Lisboa e a Câmara Municipal de Cascais organizam, entre os dias 11 e 13 de setembro, a nona edição do Mercado da América Latina, na FIARTIL – Feira Internacional de Artesanato do Estoril, a oeste de Lisboa, com uma programação dedicada à cultura, ao empreendedorismo e à participação de toda a família.
O evento, cujos bilhetes serão colocados à venda em breve, regressa pelo nono ano consecutivo à FIARTIL, reunindo durante três dias diferentes expressões culturais dos países da América Latina e criando um espaço de encontro entre comunidades e público.
Na sexta-feira, 11 de setembro, o mercado estará aberto entre as 18h e as 23h30. No sábado, 12 de setembro, o horário será das 12h às 23h30, enquanto no domingo, 13 de setembro, o recinto funcionará das 12h às 21h.
A programação inclui artes plásticas e artesanato, permitindo dar visibilidade a diferentes manifestações artísticas e produtos associados às tradições latino-americanas.
A gastronomia tradicional terá também um lugar de destaque, com especialidades que permitem conhecer a diversidade de sabores e práticas culinárias existentes entre os vários países da região.
A música e a dança ao vivo completam a componente cultural do mercado, proporcionando momentos de animação e convívio ao longo dos três dias.
A iniciativa contará ainda com um espaço dedicado às crianças, onde serão desenvolvidas várias atividades dirigidas ao público mais jovem.
Além da vertente cultural, o Mercado da América Latina apresenta uma dimensão ligada ao empreendedorismo e à integração económica, procurando apoiar pequenos empresários migrantes que vivem em Portugal e que pretendem testar ou consolidar os seus projetos.
Este apoio permite aproximar os empreendedores do público e criar oportunidades para a divulgação de produtos, serviços e iniciativas desenvolvidas pelas comunidades migrantes, contribuindo para a consolidação dos seus projetos no país.
A iniciativa enquadra-se numa missão de aproximação entre comunidades e de divulgação das tradições da América Latina, associando a valorização cultural à promoção da economia e do empreendedorismo latino-americano em Portugal.
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